Lecture Complémentaire: #2 Podcast Actualité (Migrants - et si ouvrir les frontières générait de la richesse?)

"Voilà la première partie d'un texte assez long publié sur Le Monde fr. Bientôt, nous publierons le seconde article. Merci tout le monde", Adilson.
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Bonne soirée à tous!]
Obs.: o texto original em francês está disponível no post.

PHOTO PRISE PAR LE MONDE FR


Imigrantes: e se abrir as fronteiras gerasse riqueza?
Imagine que todos os países abrissem suas fronteiras e autorizassem a livre circulação de indivíduos em seus territórios. Imediatamente, o que ocorreria? E ao fim de vinte e cinco anos? Ontem considerada como uma utopia, essa questão se tornou, atualmente, um verdadeiro objeto de estudo. Estudiosos começam a trazer respostas que não muito têm a ver com as tímidas medidas tomadas face à crise migratória. Assunto este que tem deteriorado as estruturas europeias. A temática permanece, portanto, em segredo nos laboratórios. E assim continuará enquanto os governos construírem sua política, no que concerne este âmbito, deixando-se guiar mais pela opinião pública do que por resultados científicos.

1500 mortos desde janeiro
Na espera dessa mudança hipotética, os números continuam a crescer. Desde janeiro, mais de cem mil pessoas chegaram às costas gregas e italianas e mais de mil e quinhentos morreram ao longo da travessia.
Cada vez mais, imigrantes põem suas vidas em ricos para poder usufruir do artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 cujo objetivo é garantir o direito a (...) qualquer pessoa de deixar qualquer país, incluindo o seu próprio (...).
As fronteiras estão cada vez mais hermeticamente protegidas. Na entrada da Europa, assim como em outros continentes, muros se erguem aqui e lá. Essa medida de segurança, que já custou, segundo o consórcio de jornalistas europeu “The Migrants Files”, 1,6 milhão de euros aos contribuintes daquele continente desde o ano 2000, não tem sortido sinal algum de avanço.
Para sair dessa “incapacidade na qual atualmente nos encontramos, imaginando um mundo onde se poderá circular livremente, sem a necessidade de vistos ou mesmo passaportes, como era a norma antes de 1914” a jurista IdilAtak (universidade de Ryerson, Canada) e a cientista política SperantaDumitru (universidade de Paris-Descartes) fizeram dessa possível abertura o tema do último número da revista Ethique Publique. Outro grupo de pesquisa, batizado Mobglob (Mobilidade global e gerência das imigrações), se constituiu em conjunto com cientistas políticos, sociólogos, um geógrafo e um antropólogo para analisar a questão. Este apanhado de pensadores do CNRS, da Escola de Altos estudos de ciências sociais (EHESS, em francês) ou do Science Po, conjugam suas abordagens a fim de estudar um debate cuja base inicial foi mal estabelecida.
“Quais seriam as consequências imediatas, e em vinte e cinco anos, da aplicação em âmbito mundial da livre circulação?”, se questiona, em voz alta, HélèneThiollet. Pesquisadora junto ao CNRS e associada ao Institutinternationaldesmigrationsda universidade de Oxford, Thiollet coordena o Mobglob com a cientista política Catherine Wihtol de Wenden, diretora de pesquisa do CNRS e doutora em ciências políticas.

Falsas ideias
         Referência universitária na questão dos fluxos migratórios, Catherine publicou, já em 1999, uma pequena obra intitulada “Deve-se abrir as fronteiras?”(Faut-ilouvrirlesfrontières?) (Presses de Science Po). À época, a obra não foi um sucesso nas livrarias, mas pavimentou o caminho para uma reflexão que, em 2009, os pesquisadores Antoine Pécoud e Paul de Guchteneire analisavam com “Migrações sem fronteiras. Ensaio sobre a livre circulação de pessoas” (Migrationssansfrontières. Essaissurla libre circulationdespersonnes) (Editions Unesco). Uma tese na qual uma pequena parte da polêmica sobre tal pensamento julga o impasse, por hora, contra produtivo, no momento em que a globalização permite às mercadorias e aos capitais, uma liberdade negada aos homens.

“A opinião pública ainda crê que os imigrantes custam caro. Essas falácias nunca são rebatidas por política”.

Catherine Wihtol de Wenden, cientista política. “Vivemos sobre ideias falsas, afirma a cientista”. Ainda se crê que os imigrantes irão tomar o trabalho dos Franceses; que os imigrantes custam caro. Essas falácias nunca são rebatidas por políticas. Paralisada pela crescente influência da estrema direita, a classe política não quer abrir o debate, ou pior, ela (a classe política) ajusta seu discurso a respeito da opinião pública, o que torna nossas soluções tão desatualizadas quanto inapropriadas.”

Hein de Haas, codiretor do Instituto Internacional de Migrações (l’Institutinternationaldesmigrations – IMI) e professor associado da universidade de Oxford, apresenta o mesmo discurso. Segundo Haas, “Os Estados perderam seus meios de agir eficazmente em relação aos fluxos migratórios, mas desejam continuar a emular a cresça de que a questão está sob controle”.

Em seu laboratório, HélèneThiollet observa os fluxos migratórios como um objeto científico. Nos computadores do laboratório, ela analisa uma série de parâmetros para acompanhar os movimentos de uma população em diferentes cenários. “As ciências sólidas, explica a cientista, nos são comuns em projeções. Hoje somos capazes de construir modelos expondo evoluções em dez, vinte ou trinta anos. Isso é feito nos campos da demografia e da mensuração da temperatura dos oceanos. Para o caso das migrações, propomos o mesmo trabalho. Assim, observamos o que acontecerá pouco depois da aplicação de uma livre circulação mundial e o que devemos esperar ao fim de vinte e cinco anos. Nós escreveremos possíveis cenários em função da variação de um grande numero de parâmetros que vão das evoluções do mercado de trabalho às leis sociais.”

“Em todos os senários, uma abertura global das fronteiras não terminaria em uma explosão de imigração na Europa.”

François Gemenne, cientista político.

            Partindo desta base de trabalho, o Mobglob já atingiu uma série de conclusões de etapas, que o cientista político François Femenne aceitou a compartilhar com o Le monde: “Se ainda for cedo demais para se fazer algo definitivo, já é possível observar que, em todos os senários, uma abertura global das fronteiras não terminaria em uma explosão de imigração na Europa.”, afirma o pesquisador em ciência política das universidades de Liège (Cedem) e de Versailles-Saint-Quentin-en-Yvelines (Cearc). “Hoje, os imigrantes representam 3,2% da população mundial. Ao fim do século XIX, o dia seguinte da Revolução Industrial, essa taxa era de 10%. Nenhuma das nossas projeções aponta a esses 10%. Nem há 1, nem há vinte e cinto anos.”

            Para chegar a essas primeiras conclusões e construir modelos robustos, estudos minuciosos foram conduzidos. Universitários se concentraram em seis grupos de países: duplas entre as quais uma história de imigração já se formou como o caso franco-marroquino, ou duplas entra as quais um futuro senário pode se formar, como entre a China e o Japão.

A evolução da demografia japonesa é um dos parâmetros que farão flutuar o número de chegadas de chineses, o que também ocorrera em função das políticas aplicadas na China. O abandono ou não do passaporte interno como forma de mitigação total – ou da manutenção parcial – da política de filho único, mudando a natureza e a importância dos fluxos migratórios.

            Igualmente, o Mobglob prevê variações da taxa de indianos com ensino superior que irão aos Emirados Árabes Unidos em função da maneira como esses pequenos Estados negociam após o boom do petróleo, mas também da taxa de crescimento que a Índia viveu. As análises de geógrafos, antropólogos, sociólogos e de cientistas políticos se cruzam sem cessar na construção esquemas, para não esquecer nenhum parâmetro importante.


Continua ...


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